O Mundo da

21 setembro 2006

A Dor do Silêncio

A violência doméstica constitui um flagelo para a sociedade que ultrapassa qualquer fronteira cultural ou económica.
Seja física, sexual ou psicológica, a violência doméstica assume diferentes formas e é, quase sempre, ocultada.
O silêncio, o desconhecimento e o preconceito que rodeiam este tipo de violência constituem barreiras difíceis de transpor quer para as vítimas, quer para quem as pode ajudar.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer a nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como muitas vezes se pensa
A sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas muitas vezes silenciosas e em segundo porque, comprovadamente, a violência doméstica pode impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.
A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouca auto-estima e encontra-se atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material.
O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do acto agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, mas volta a repeti-lo.

Nalgumas situações, a violência doméstica persiste, de forma crónica, porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, seja por razões materiais, seja emocionais.
Assim não pode ser. Tem de se tomar uma atitude que não seja a da aceitação, por aceitar. Penso que as mulheres de hoje devem aceitar apenas o que acham correcto para as suas vidas e lutar contra este tipo de violência.

Existem diversas instituições criadas para dar apoio a quem sofre de violência doméstica, mas sem dúvida que há duas que tenho, aqui, de referir.
Uma é a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima - APAV, que essencialmente ajuda e faz o acompanhamento e encaminhamento em termos de apoio social, jurídico e psicológico.
A outra é o Núcleo Mulher e Menor da GNR.
Uma valência da estrutura de investigação criminal da Guarda Nacional Republicana e constituído por militares com formação especifica de cerca de dois meses. Está particularmente vocacionada para a investigação de crimes de violência doméstica, que envolve desde crianças a idosos

A Constituição da República Portuguesa preconiza, no seu artigo 9º alínea b), entre as tarefas fundamentais do Estado a de "garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático", assim como na sua alínea h), a de "promover a igualdade entre homens e mulheres".
O princípio da igualdade (artigo 13º), e o direito à integridade pessoal (artigo 26º), entre outras disposições constitucionais, reforçam esta tutela que apesar de constitucionalmente protegida é sistematicamente violada.
Por isso numa sociedade de um país que quer pertencer, de facto ao século XVI, não podem existir este tipo de situações que são mais que desagradáveis, são dignas de tempos em que o homem arrastava a mulher para casa pelos cabelos e vocês sabem bem que tempo era esse, mesmo que muito, muito distante.
E o recado não é só para as mulheres.
Porque se elas não se podem deixar inferiorizar, eles têm a obrigação cívica e moral de as tratar bem, ou pelo menos não as tratar mal, porque acima de tudo são seres humanos e merecem o seu próprio bem estar e integridade física.

MULHERES E HOMENS LUTEM CONTRA ESTE PROBLEMA.

Betty Brown