O Mundo da

12 setembro 2006

Ser Gay

Se consultarmos o dicionário de Língua Portuguesa o significado de homossexual é, no seu sentido mais lato, ‘a pessoa que se sente atraída por pessoas do mesmo sexo'.

Ora bem, é neste termo e na classe homossexual que me vou concentrar hoje.

É preciso saber ser-se GAY. E porquê?

Numa sociedade como a nossa, que vive com uma mentalidade fechada e muito concentra, ainda, no pensamento salazarista ‘Deus, Pátria, Família’ ser-se gay não é tarefa fácil.
Ainda bem que existem várias associações e a ILGA Portugal que têm feito um excelente trabalho na reivindicação dos direitos homossexuais.

São festas temáticas, marchas de orgulho e arraias que têm contribuído para que a opinião pública nacional veja com outros olhos esta classe. A provar isso mesmo foi o Arraial Pride Lisboa 2006.
Um evento como há muito eu não assistia. Uma festa muito bem organizada, com caras giras, uma recepção aos artistas espectacular, a localização foi excelente não podia ser mais central... foi pena ter durado pouco tempo, mas sei também que nada poderam fazer para alterar esta situação.
Muito deste sucesso se deve aos meus queridos Zé Manel (ILGA), Mário Varela (DJ Trump´s) e Oscar Reis, que se empenharam que devolver à cidade de Lisboa esta festa gay. Isto sem esquecer, claro está, a importância que tiveram os demais colaboradores na organização desta festa.

Mas se muitos lutam para que a classe gay ganhe cada vez mais dignidade na sociedade portuguesa, existem outros que deitam tudo a perder.
Ser homossexual deve ser, na minha opinião, como a cor dos olhos ou a cor do cabelo. Uma coisa natural que faz parte de uma pessoas e não um problema de todo o tamanho.
A orientação sexual de cada indivíduo dever ser entendida, normalmente e não imposta numa bandeja aos outros.

Que direito tenho eu de estar a confrontar outras pessoas com as minhas orientações, se eu de certeza não ia gostar da situação contrária?
Podemos ser tudo o que queremos ou que sonhámos ser. Não podemos é esquecer-nos que a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro.

Mas nem todas as pessoas pensam assim e com comportamentos impróprios e com uma total falta de saber estar certos, não sei se lhes devo chamar homossexuais porque nem isso conseguem ser, certos ‘raparigos’ denigrem a imagem dos gays portugueses.
Cenários de uma quase luxúria em plena área de restauração de um famoso centro comercial da baixa pombalina, gritinhos estéricos e assédio aos homens que passam acompanhados são o quotidiano destas criaturas que passam a vida no café.
Eu penso que ser homossexual não é isto, não é adoptar comportamentos que em nada dignificam a classe.

E é como já disse, o trabalho árduo de anos a lutar é depois colocado em causa pelos comportamentos destas pessoas. E houvesse na rua: “Fogo é maricas”, “Olha o paneleiro”.
Decididamente, penso que, não é isto que queremos. O que queremos é que quando passarmos na rua digam “Olha lá vai Fulano Tal”, com respeito, porque somos TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS.
Basta para isso saber estar nos locais e comportar-se com o mínimo de dignidade.

Betty Brown